Brasileiro brilha no triatlo japonês e prova que sensação supera tecnologia em Osaka
Com desempenho 7min30s mais rápido que no ano anterior, triatleta prova que percepção de esforço pode vencer a dependência de dados
Divulgação O triatleta brasileiro Masaharo Hidaka de Souza, natural do Amazonas e radicado no Japão, começou a temporada 2026 com o pé direito. Neste último fim de semana, ele conquistou o segundo lugar na categoria 25-29 do Osaka Castle Triathlon, prova disputada no icônico cenário do Castelo de Osaka. Mais do que o pódio, sua atuação ficou marcada por uma curiosidade: ele competiu praticamente sem o auxílio de qualquer equipamento de monitoramento.
Com um tempo 7 minutos e 30 segundos inferior ao registrado na edição de 2025 (quando havia terminado em terceiro), Masaharo completou o percurso sprint – 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida – com marcas expressivas. Na água, fez 13min04 (média de 1min44/100m), sua melhor natação em provas sprints. No ciclismo, surpreendeu a si mesmo ao atingir média de 39,8 km/h em um trajeto técnico, repleto de retornos fechados e mudanças constantes de ritmo. Na corrida, fechou os 5km em 18min54 (média de 3min47/km).
O que torna o resultado ainda mais notável, segundo o atleta, foi a sucessão de falhas técnicas logo no início da prova.

“A prova com menos dados que já fiz”
Em seu relato nas redes sociais, Masaharo descreveu os contratempos: “Logo na natação meu relógio não encontrou GPS corretamente. Na saída da água, os laps ficaram completamente bagunçados.” A situação piorou no ciclismo, quando seu ciclocomputador demorou a iniciar, não conectou no sensor de velocidade nem no de cadência. “Velocidade indo para zero em plena reta. Cadência e potência zeradas”, lembra.
Diante da falha generalizada dos equipamentos, o amazonense tomou uma decisão: “Em determinado momento simplesmente aceitei, larguei mão. Parei de tentar fazer parear e virei a chave. Sem números, sem pace, sem velocidade e sem potência. Apenas pela percepção de esforço.”
Foi essa mudança de postura, segundo ele, que tornou a prova uma das mais bem executadas de sua vida.

Voltas progressivas e conexão com o corpo
Sem poder consultar dados, Masaharo guiou-se apenas pelas sensações. No ciclismo, as quatro voltas de 5km foram feitas de forma progressiva: 7min41, 7min41, 7min32 e 7min17. “Pela primeira vez senti que estava realmente conectado ao esforço, sem depender da tela para me dizer o que fazer”, afirmou.
Na corrida, a mesma estratégia: “Saí da T2 e mais uma vez, sem pace. Corri os 5km inteiros guiado apenas pela percepção de esforço.”
Lição para a temporada
Ao final, o triatleta destacou o aprendizado: “Os dados ajudam. Mas eles não competem por nós. Quando tudo deu ruim, ficou o que importa: as sensações.”
Natural do Amazonas e radicado no Japão, Masaharo Hidaka de Souza agora se prepara para os próximos desafios da temporada 2026, com a confiança renovada de que seu corpo – mais do que qualquer tecnologia – é sua principal ferramenta.




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