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Manaus,11/03/2026

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Universidades Públicas seguram qualidade enquanto privadas de Medicina do AM amargam nota mínima

Análise exclusiva revela que UFAM e UEA mantêm padrão regular (conceito 3), mas particulares Nilton Lins e FAMETRO colhem indicadores críticos


Universidades Públicas seguram qualidade enquanto privadas de Medicina do AM amargam nota mínima Divulgação

Um retrato preocupante da formação médica no Amazonas emerge dos dados mais recentes do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) 2025. Das quatro instituições que oferecem o curso de medicina no estado, duas – exatamente a metade – receberam conceito 1, a nota mais baixa possível na avaliação federal. Enquanto isso, as duas universidades públicas do estado, UFAM e UEA, mantiveram o conceito 3, patamar considerado regular, mas que revela uma desigualdade gritante entre o ensino público e privado na formação dos futuros médicos amazonenses.

Os números são contundentes: o Centro Universitário CEUNI-FAMETRO e a Universidade Nilton Lins, ambas privadas, não apenas obtiveram a nota mínima, como também apresentaram índices alarmantemente baixos de participação no exame – 38,9% e 39,0% respectivamente. Isso significa que menos de 4 em cada 10 estudantes matriculados nestas instituições participaram da avaliação federal, um indicador que especialistas interpretam como possível sinal de evasão, desinteresse ou até mesmo desorganização institucional.


O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS) divulgaram, nesta segunda-feira, 19 de janeiro, a análise dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. O Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina e permite o aproveitamento de seus resultados nos processos seletivos de programas de residência médica. Os resultados apresentados referem-se aos 351 cursos de medicina que participaram do Enamed 2025. Desses, 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as instituições públicas federais e as instituições privadas. Os demais são regulados pelos sistemas estaduais. Os resultados finais dos cursos avaliados estão disponíveis aqui. 


O Contraste Público-Privado

Enquanto as particulares lutam com indicadores críticos, as públicas mostram uma realidade diferente. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) registrou a maior taxa de participação do estado (66,4%), seguida pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) com 62,6%. Ambas mantiveram o conceito 3, que, apesar de não ser excelente, as coloca em patamar superior às concorrentes privadas.

"Esses dados revelam uma dualidade perversa", De um lado, temos instituições públicas com tradição e estrutura, mas com vagas limitadas. De outro, instituições privadas que expandiram a oferta, mas cuja qualidade ainda não acompanhou esse crescimento. O resultado é que muitos jovens amazonenses estão se formando em condições aquém do desejável."

O Dilema das Vagas

O Amazonas oferece atualmente 592 vagas em medicina distribuídas entre as quatro instituições. A distribuição, no entanto, é desigual: enquanto as públicas (UFAM e UEA) oferecem 228 vagas (38,5% do total), as privadas concentram 364 vagas (61,5%). Para muitos estudantes, a conclusão é inevitável: quem não consegue ingressar nas públicas precisa optar por instituições com indicadores preocupantes.

"Estudei três anos para o vestibular da UFAM e não passei", relata João Pedro Silva, 21 anos, que acabou optando por uma das instituições com conceito 1. "A escolha foi entre fazer medicina em uma faculdade com problemas ou não fazer medicina nenhuma. É uma situação frustrante."

O Que Dizem as Instituições

Procuradas pela reportagem, as instituições não se manifestaram sobre os resultados até o fechamento desta matéria. Já as públicas reconhecem os desafios. 

Impacto na Saúde Amazonense

O problema transcende as salas de aula. Médicos formados em instituições com baixa qualidade podem impactar diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas, estado que já enfrenta enormes desafios logísticos e de acesso à saúde.

O Amazonas precisa de médicos bem formados, especialmente para atuar no interior. "A baixa qualidade de formação se reflete na assistência. T

O Caminho à Frente

Especialistas apontam três caminhos urgentes:

  1. Fortalecimento das públicas – Ampliação de vagas com qualidade

  2. Fiscalização rigorosa das privadas – Acompanhamento mais próximo pelo MEC

  3. Integração ensino-serviço – Maior vinculação das faculdades com a rede SUS

"O Amazonas não pode se dar ao luxo de ter médicos mal formados", conclui a professora Maria Helena. "Nossa geografia difícil, nossa população dispersa e nossos desafios epidemiológicos exigem profissionais excelentes. Esses dados do ENADE são um alerta que não podemos ignorar."

Enquanto isso, milhares de estudantes amazonenses seguem na difícil equação: sonho da medicina versus qualidade da formação. Uma equação que, pelos dados atuais, ainda não encontra solução ideal no estado.


Dados Técnicos:

  • Total de vagas em medicina no AM: 592

  • Instituições com conceito 1: 2 (50% do total)

  • Instituições com conceito 3: 2 (50% do total)

  • Participação média no ENADE: ~51,7%

  • Vagas públicas: 228 (38,5%)

  • Vagas privadas: 364 (61,5%)

Nota: Os dados referem-se ao ENADE 2025 e refletem a situação das instituições naquele período.




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