Seja bem-vindo
Manaus,30/07/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Anderson Cleuber

A Candeia de Célio Cruz que Ilumina a Rua

A poesia atemporal e o brilho da MPB amazônica no clássico de Célio Cruz


A Candeia de Célio Cruz que Ilumina a Rua

Há cidades que fazem barulho com buzinas, sirenes e pressa, mas Manaus guarda em seus refúgios um som particular, tecido nas frestas da tarde e no sopro do vento sobre as águas. É nesse compasso íntimo que a arte de Célio Cruz se sustenta, como uma lamparina acesa no meio da noite para lembrar que a canção popular também é um lugar de afeto.

"Candeia de Estrelas" é o aclamado álbum de estreia do cantor, compositor e violonista amazonense Célio Cruz, lançado originalmente em 1995.

O disco é uma referência importante da MPB produzida no Amazonas. A faixa-título que dá nome ao álbum rendeu a Célio Cruz premiações de destaque — como melhor música, melhor arranjo e melhor intérprete no Festival Universitário da Canção de Blumenau (SC) em 1992 —, consolidando sua trajetória iniciada nos festivais universitários da década de 1980.




Quem ouve o violão e a voz de Célio percebe de imediato que ele não canta apenas sobre a Amazônia; ele canta a partir dela, emprestando à MPB a feição exata de quem conhece o cheiro da chuva forte batendo no asfalto quente e o reflexo prateado do rio.

Lá atrás, nos palcos dos festivais que moldaram gerações, sua música já trazia o fôlego dos dias de luta e poesia. Mas foi quando uniu o verbo ao lirismo de Candeia de Estrelas que ele nos entregou uma das imagens mais belas da nossa música: a vontade de enfeitar a calçada, de acender o lampião da esperança e preparar o espírito para quando o amor decidir passar ou voltar.

Escutar esse clássico atemporal é quase um exercício de resgate urbano e emocional. É como se a cidade barulhenta silenciasse por um instante para dar passagem a um "coração de menino", embalado por acordes que trazem a dignidade de quem escolheu fazer da arte um ofício de entrega.

Célio Cruz continua a ser essa presença necessária — a candeia firme que teima em brilhar, mostrando que, por mais densa que seja a noite, a alma amazonense sempre terá uma poesia pronta para iluminar a rua.


Acendo a minha paixão
Antiga luz bem guardada
Nas malhas do coração
Ainda brilha renovada
Sopro de amor verdadeiro

Espelho d'água mais clara
Mulher tu tens o segredo
De iluminar minha cara

Candeia de estrelas
Para enfeitar a rua
Quando o meu amor passar
Candeia de estrelas
Para enfeitar a rua
Quando o meu amor voltar

Canção de amor desvairado
Na lira do meu destino
Traço com todo cuidado
Meu coração de menino






COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.