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Manaus,04/07/2026

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Cabo Verde cai, mas leva Argentina ao limite e fica na história

Time de Buista bateu de frente com os campeões mundiais para elevar sua campanha de estreia na Copa do Mundo a outro patamar.


Cabo Verde cai, mas leva Argentina ao limite e fica na história FIFA

Não foi por falta de aviso. Nas semanas que antecederam este confronto, a palavra "competitividade" foi o mantra repetido à exaustão pelo técnico Bubista e seus comandados. Nesta sexta-feira (3), em Miami, Cabo Verde encerrou sua trajetória na Copa do Mundo da FIFA 2026™ após uma eliminação para a Argentina nos 16-avos de final. Se a despedida ocorreu, ela aconteceu exatamente como planejado: levando os atuais campeões mundiais ao limite extremo.

Embora o sentimento de orgulho seja evidente, ele vem acompanhado de uma ponta de amargor. O grupo deixa o torneio com a clara percepção de que esteve a um detalhe de protagonizar um dos maiores feitos da história do futebol.




"Eu não gosto de vitórias morais, porque ficamos muito perto… talvez tivéssemos a oportunidade de levá-los aos pênaltis. Infelizmente, esbarramos numa última barreira no final", desabafou o zagueiro Pico Lopes à FIFA.

Derrubando a narrativa do favoritismo

Após uma fase de grupos avassaladora, a Argentina chegou ao mata-mata cercada por uma aura de invencibilidade. Cabo Verde, no entanto, tratou de desconstruir essa expectativa. O respeito dos rivais foi imediato, com o próprio Lionel Messi reconhecendo a dificuldade do duelo:

  • Messi sobre o desafio: "Acharam que ia ser tranquilo, mas foi totalmente o contrário. Eles nos pressionaram bem. Isso é mata-mata, ninguém te dá nada de graça."

Ao longo de todo o torneio, Cabo Verde manteve-se invicto no tempo regulamentar contra potências como Espanha, Uruguai e, agora, Argentina — seleções que somam seis títulos mundiais entre si. Para o goleiro Vozinha, um dos pilares da equipe, o desempenho foi uma questão de foco e identidade:

"Jogamos contra o atual campeão do mundo de igual para igual. Respeitamos a qualidade da Argentina, mas entramos em campo focados no nosso trabalho."



O duelo tático e a resiliência

A partida foi um retrato de dois tempos distintos. Após uma primeira etapa de controle argentino e o gol de Messi, a postura de Cabo Verde mudou drasticamente após o intervalo. A equipe impôs seu ritmo, equilibrou as ações e buscou o empate com Deroy Duarte, forçando a prorrogação.

Mesmo após a Argentina retomar a vantagem no início do tempo extra, os "Tubarões Azuis" reagiram com uma pintura de Sidny Lopes Cabral, que, improvisado como ponta, elevou o moral do time. A decisão só veio num lance isolado: um cabeceio de Cristian Romero que, desviado em Diney Borges, selou o 3 a 2 final.

Um legado escrito em Miami

Cabo Verde já havia garantido seu lugar na história ao avançar ao mata-mata em sua primeira participação em Copas. A atuação diante da Argentina, contudo, elevou o patamar do futebol do país.

"É lindo colocar nosso país no mapa e mostrar nosso jogo", celebrou Deroy Duarte. Ao final da batalha de 120 minutos, o técnico Bubista resumiu o sentimento de uma nação:

"É ter orgulho dos nossos jogadores, que foram dignificantes no Mundial. Mostramos, acima de tudo, a nossa identidade."




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