Tony Meola: "Todos se lembram da derrota para o Brasil no 4 de julho"
O ex-goleiro da seleção dos Estados Unidos lembra derrota no Dia da Independência dos EUA, durante a Copa do Mundo de 1994
FIFA A Copa do Mundo de 1994, realizada nos Estados Unidos, teve um momento divisor de águas: o icônico duelo das oitavas de final entre Brasil e Estados Unidos. Disputada exatamente no 4 de Julho — Dia da Independência norte-americana —, a partida no Estádio de Stanford, diante de 84 mil pessoas, foi muito mais que um jogo; foi o instante em que o mundo passou a levar a sério o futebol no país.
Apesar da eliminação por 1 a 0, com gol de Bebeto, a resiliência norte-americana — que segurou o poderoso Brasil por 72 minutos, mesmo após perder Tab Ramos por lesão — plantou uma semente de otimismo. Enquanto o país celebrava seus 250 anos de independência em 2026, a FIFA relembrou essa data histórica com Tony Meola, ex-capitão da seleção dos EUA, que relembrou os bastidores daquela campanha épica.

A experiência de jogar em casa
Para Meola, disputar um Mundial em solo doméstico é uma experiência de elite. "Poucos jogadores na história tiveram essa honra", destaca. Ele observa que, embora o atual grupo da seleção norte-americana esteja mais habituado ao cenário europeu, a atmosfera em casa continua sendo singular:
"Você sente o peso da expectativa e a obrigação de vencer, mas também entende o impacto que pode causar ao trazer novos fãs para o esporte."
Confiança e respeito internacional
Sobre o confronto contra o Brasil, Meola relembra a incerteza vivida pelos jogadores, que esperavam o adversário definido pelo resultado de outros jogos. Mas o orgulho do desempenho da equipe prevaleceu. Ele cita, inclusive, uma conversa com Romário anos depois:
"Em um documentário, perguntaram ao Romário qual tinha sido o adversário mais difícil daquela Copa. Ele respondeu que, de longe, foram os Estados Unidos. Não sou muito fã de prêmios de consolação, mas foi muito significativo."
O ex-goleiro revela ainda que o técnico Carlos Alberto Parreira, com quem trabalhou mais tarde no MetroStars, confidenciou: "Vocês nos deram muita dor de cabeça; não conseguíamos encontrar uma maneira de furar a defesa".

Bastidores e o encontro com Robin Williams
A partida contra o Brasil deixou marcas profundas, não apenas pelo placar, mas pela intensidade física e a perda de jogadores fundamentais como John Harkes (suspenso) e Tab Ramos. O clima após a derrota era de desolação.
Foi nesse momento de melancolia que figuras inusitadas apareceram para apoiar o time, como o lendário comediante Robin Williams. "Ele e sua esposa voltaram conosco no voo fretado", recorda Meola. "Mas ele não ficou contando piadas o tempo todo. Estávamos todos muito abatidos, processando o fim daquela jornada."
O legado de 2026
Ao olhar para o presente, Meola celebra a coincidência histórica da partida realizada na Filadélfia, cidade onde a Declaração de Independência foi assinada há 250 anos. Para ele, ver a concretização desse planejamento — algo que já era discutido nos bastidores da organização do torneio há quase uma década — é a coroação de um trabalho que começou, lá atrás, em 1994.





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